Perfil socioprofissional do professor estrangeiro na universidade pública brasileira

  • Serigne Cisse Ba
  • Paulo Alexandre Castro
  • André Vasconcelos Silva
  • Adriana Sadoyama
  • Geraldo Sadoyama Leal
  • Márcio Silva Andrade
  • Gustavo Silva

Resumo

Esse trabalho, fruto de uma tese de doutorado em educação buscou apreender o professor estrangeiro, no seu perfil, suas dificuldades, suas contribuições e desafios para a permanência e reconstrução das práticas didático-pedagógicas e para a atuação como profissional docente nas universidades públicas brasileiras. O estudo se justificou pelo fato de termos um grande número desses sujeitos nas universidades públicas brasileiras principalmente nos últimos dez anos e que, portanto, nunca foi ainda objeto de um estudo sistemático. Nosso universo de pesquisa foi a UnB, instituição pública federal que concentra o maior número desses professores. Dados do INEP (microdados do censo do ensino superior do ano de 2011) nos serviram de base para localizar esses docentes. Foram aplicados questionários a mais de 37,3% das nacionalidades presentes (19 das 51 nacionalidades) correspondendo a 7,6% de uma população de 250 professores além de entrevistas semiestruturadas, consulta a documentos disponibilizados nas IES e em outros locais (sites web das faculdades, sites pessoais e copiadoras). A análise qualitativa e o tratamento estatístico dos dados nos permitiram chegar as seguintes conclusões: os professores estrangeiros que se encontram na UNB são originários na sua maioria dos países da América Latina e da Europa, se declaram brancos ou pardos, têm títulos de doutores, trabalham em regime de dedicação exclusiva e atuam no ensino, pesquisa e extensão. Esses docentes encontram grandes dificuldades de adaptação em seus locais de trabalho devido à falta de mecanismos de socialização e de auxílio em suas práticas pedagógicas. À luz do paradigma da complexidade de Edgar Morin, pôde se afirmar que o professor estrangeiro sobrevive na universidade pública brasileira em meio a dilemas e contradições que vão desde inquietações culturais, alteridade e aceitação pelos alunos até sua própria integração na universidade e a busca permanente da união dessas partes. No entanto, há de se notar a grande contribuição desses professores no que tange à inserção dos programas de pós-graduação onde atua em altos patamares de qualidade além da inserção internacional. 

Publicado
2015-11-26