Gênero como categoria fértil para a pesquisa em violência

  • Rebeca Oliveira
  • Rosa Fonseca

Resumo

Trata-se de estudo que tem por objetivos descrever como a violência analisada a partir da categoria gênero se revela nos estudos do grupo de pesquisa Gênero, Saúde e Enfermagem, da Universidade de São Paulo e identificar como esses achados possibilitam subsídios para projetos de intervenção para a prevenção e enfrentamento do fenômeno nas realidades estudadas. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, que avaliou as teses e dissertações produzidas pelo Grupo de Pesquisa Gênero, Saúde e Enfermagem, no período de 1996 a 2014. Foram selecionados estudos que definiram a violência como temática da investigação. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo. Da análise emergiram as categorias empíricas: determinação e vivência da violência como uma complexa e multifacetada via de mão dupla; Silenciada e invisibilizada: a violência de gênero é concreta nos serviços de saúde e na vida das mulheres; Autonomia das mulheres como possibilidade para a superação da violência; 4-Limitações das práticas profissionais frente à violência: impotência e medicalização; Potencialidades: a escuta e o vínculo como possibilidades de acolhimento; A violência e o uso abusivo de álcool e drogas: uma complexa relação; As Oficinas de Trabalho Crítico-emancipatórias (OTC) como possibilidade de qualificação profissional para o enfrentamento a violencia. A perspectiva de gênero na pesquisa em Enfermagem constitui um campo inovador e contra-hegemônico, com possibilidade de assumir um significado práxico pelo potencial transformador da compreensão e dos modos de intervenção no fenômeno da violência de gênero. 

Publicado
2015-12-08