O cuidado na saúde da família entre autonomia e dominação: vivências de sofrimento moral em enfermeiros

  • Maria José Menezes Brito
  • Beatriz Santana Caçador
  • Carolina da Silva Caram
  • Lilian Cristina Rezende
  • Camila Ribeiro Souza
  • Ramon Augusto Ferreira de Souza
  • Ana Paula Mendes dos Santos
  • Gisele Roberta Nascimento
  • Marileila Marques Toledo
  • Flávia Regina Souza Ramos

Resumo

Estudo tem como objetivo compreender as vivências de sofrimento moral de enfermeiros na saúde da família. Pesquisa qualitativa, realizada em um município da região metropolitana de Belo Horizonte. Participaram 13 enfermeiros da estratégia saúde da família. Os dados foram coletados por meio de entrevista aberta e o corpus de analise foi os depoimentos dos participantes. Os dados foram analisados à luz do método filosófico conceitual. Os resultados evidenciam vivências de angustia/sofrimento moral em enfermeiros da saúde da família ao serem impelidos pela gestão a operar um modo de fazer saúde que fortalece práticas de dominação e dependência dos sujeitos em detrimento da autonomia e responsabilização. Os enfermeiros julgam moralmente inadequada tal prática, mas são os atores responsáveis por operacionalizar esta prática. No que tange à bioética da proteção, percebe-se que tem havido um esforço em garantir o acesso aos serviços de saúde. Entretanto, a despeito da autonomia dos sujeitos e d o processo de conscientização para mudanças sociais inscrito no paradigma da bioética da proteção, evidencia-se a perpetuação de uma lógica de dominação e docilização dos sujeitos. Assim, a organização do trabalho tem como foco produzir dados quantitativos para alcançar metas de modo que imprime uma lógica que torna a equipe de saúde responsável, de forma exclusiva, pelo processo de viver e adoecer das pessoas, gerando sofrimento moral nos enfermeiros, os quais agenciam esse modo de fazer saúde sem, no entanto, concordar moralmente com suas primícias.

Publicado
2016-07-20